Nossa História

A ACIFAP nasceu em julho de 2024, a partir de uma roda de conversa informal entre amigas que compartilhavam a mesma aspiração e visão de toda uma conjuntura que envolve a pessoa da Cuidadora em Portugal. Diante desse pressuposto, resolvemos criar de forma empírica, um grupo de apoio as cuidadoras com o objetivo de ajudar outras mulheres a em vários aspectos desde orientações básicas para encontrar trabalho e ou uma melhor colocação no mercado de trabalho em Portugal. Durante esse bate-papo surgiram um leque de propostas a serem desenvolvidas e ao fim criar uma Associação de Cuidadoras e afins em Portugal. O primeiro passo foi criar um grupo de WhatsApp que pudesse servir como espaço de troca de experiências, informações, agregar não só pessoas, mas, empresas parceiras que venham ao encontro dos objetivos em construção, além de incentivar a todos (as) na busca de novas oportunidades de uma maneira geral.

As primeiras integrantes foram convidadas pessoalmente, e cada amiga passou a convidar outra amiga, formando uma rede que cresceu de maneira espontânea, acolhedora e solidária. O que começou como um pequeno gesto de cuidado e parceria rapidamente se transformou em uma comunidade de mulheres unidas pelo propósito de colaborar, fortalecer e abrir portas umas para as outras.

À medida que o grupo crescia dia após dia, algo especial começou a acontecer. Além das trocas de oportunidades de trabalho, surgiam momentos espontâneos com novas rodadas de conversas, onde muitas mulheres se sentiam à vontade para expor toda a sua trajetória de origem até a presente data, trocando vivencias pessoais e profissionais. Nessa perspectiva esses encontros mostraram que o grupo não era apenas um espaço de ajuda profissional, mas também de apoio emocional e psicológico.

A cada relato tornava-se evidentes histórias de injustiças enfrentadas pelas cuidadoras que discorriam sobre exploração dentro das casas dos utentes (idosos), experiências de desvalorização por parte de empresas e situações difíceis que poucas tinham coragem de contar em outros ambientes. Muitas expressavam sentimentos profundos de solidão, desamparo e angústia por terem deixado seu país acreditando em uma vida melhor, mas encontrado dificuldades, desilusões e desafios muito maiores do que imaginavam.

Diante das situações, ouvidas, descritas por inúmeras mulheres, não poderia ficar omissa, foi nesse momento que nasceu em mim, Aureni, um desejo crescente de fazer mais por essas mulheres. Cada história tocava meu coração de forma única. Eu percebia que por trás de cada cuidadora havia uma mulher forte, determinada, ferida e cansada; esperançosa, por vezes perdida; em conjunto com o grupo que a cada dia cresce com inúmeros profissionais e parcerias, surge de oferecer não apenas escuta pessoal, mas também o cuidado psicológico, social e orientações jurídicas, apoio real e propiciando condições de elevação da autoestima e dignidade.

Na proporção que esse grupo avançava fomos estruturando a visão para moldar o futuro da ACIFAP (Associação dos Cuidadores de Idosos Formais e Afins de Portugal), com missão e valores centrado na pessoa dos cuidadores com suas necessidades de cuidados, concomitantemente com os cuidados a serem dispensados a pessoa cuidada que muitas vezes encontra-se em situação de dependência.

Todo olhar voltado ao objetivo de encontrar novos caminhos, horizontes sólidos, concretos e reconhecidos legalmente que fora direcionada a pesquisas bibliográfica, internet e in loco, procurando a existência de alguma estrutura formalizada dirigidas especificamente aos cuidadores, como Associação, sindicado ou organização de qualquer natureza que pudesse nos orientar e fortalecesse não só o grupo, mas cada mulher que nos procurava com suas dores e desafios.

Acreditava que, se uníssemos força emocional com informação e orientação profissional, poderíamos transformar o sofrimento dessas trabalhadoras em consciência, dignidade e poder de reivindicação. A cada busca, a cada descoberta, compreendia mais a importância de criar um espaço seguro e estruturado, onde as cuidadoras pudessem encontrar não apenas acolhimento, mas também conhecimento e direitos assegurados.

Com essa busca incansável e com o contínuo crescimento do grupo, tornava-se urgente novos passos. Em reuniões com o grupo que compartilhavam do mesmo anseio de mudança, de força coletiva e de valorização, começamos a criar enquetes dentro dos Grupos de WhatsApp, começamos a criar enquetes, convidando pessoas que também sonhavam com a criação de uma associação que representasse todas nós.

A surpresa e alegria foi imensurável de ver várias cuidadoras respondendo o chamado. Algumas se identificaram profundamente com a ideia e demonstraram interesse imediato em participar. Assim, começamos a nos reunir em pequenos subgrupos, onde podíamos conversar com mais foco, planejar e estruturar o que poderia vir a ser uma organização verdadeira e sólida.

A cada reunião, a ia-se escrevendo o formato da associação que ganhava mais vida, mais sentido e mais força, depoimentos como esse serviram de norte para toda a equipe que se fortalecia dia a dia:

“...eu, Aurora, me sentia cada vez mais segura e apoiada não estou mais sozinha: havia uma rede de mulheres determinadas a transformar não apenas suas próprias vidas, mas a realidade de todas as cuidadoras de idosos...”

Nessa caminhada e trajetória o grupo de liderança inicial se desfez. Somente Lucinda permaneceu forte e a cada momento suas palavras ecoa como um alicerce vivo, constante em minha memória:

“Levanta a cabeça e vamos seguir com o teu propósito.”

Num gesto de solidariedade e coragem, soam como um sopro de vida no momento em que eu mais precisava.

Com apoio crescente, partimos juntas em busca de informações sobre como registrar uma associação de forma legal e correta. Pesquisamos processos, requisitos, documentos necessários, modelos e todo tipo de orientação que pudesse nos guiar. O sonho já não era apenas uma ideia, estava se tornando um projeto real, construído passo a passo pela união, pela coragem e pela necessidade de dar voz a tantas trabalhadoras invisibilizadas.

Como fênix, nós recriamos todo o propósito e ressurgimos muito melhor, com uma nova equipe, forte, comprometida, ACIFAP existindo de fato e de direito a partir de outubro/2025, com novas parcerias, com associados e expandiu-se agora com núcleos de trabalho no Porto, Aveiro e Viseu, com perspectiva de ampliação de novos núcleos.